quarta-feira, 20 de julho de 2016

Zica Vírus e a Gestação


            Zica vírus é uma infecção causada pelo vírus ZIKV, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue e da febre chikungunya. O Brasil notificou os primeiros casos de Zica Vírus em 2015, no Rio Grande do Norte e na Bahia.
            O contágio do vírus se dá pelo mosquito que, após picar alguém contaminado, transporta o vírus por toda sua vida transmitindo a doença para uma população que não possui anticorpos contra ele. A transmissão se dá principalmente em áreas tropicais, com temperatura entre 30 e 32 graus Celsius, regiões quentes e úmidas. No entanto, os ovos que carregam o embrião do mosquito transmissor podem suportar até um ano a seca e serem transportados por longas distâncias, o que torna difícil a erradicação da doença.
           Existem diversas formas de transmissão:
- vertical (da gestante para o bebê) , 
-sexual, saliva e urina ou leite materno ainda não foi confirmada,
-via transfusão sanguínea
         De forma geral a evolução da doença é benigna, com período de incubação de quatro dias, com quadro clínico leve , apresentando manchas pelo corpo avermelhadas, febre baixa, conjuntivite, dores musculares, dores nas articulações, dor de cabeça. No entanto, nem todas as pessoas infectadas pelo vírus manifestarão os sintomas clínicos. Existe tratamento apenas sintomático, para aliviar os sintomas.
         A preocupação com a ligação do Zica vírus e gestantes se dá pois alguns casos de microcefalias em bebês foram relatados em mães que apresentaram a doença durante a gestação, e acredita-se que o vírus atravessa a barreira placentária e afeta o desenvolvimento do tecido nervoso, provocando a lesão que resultará em microcefalia. Estudos revelam que essa lesão é mais severa se a gestante contrair a doença no primeiro trimestre de gestação, mas estudos recentes mostram que o risco se dá pela gestação inteira incluindo período de amamentação.
         A melhor forma de evitar a infecção pelo vírus é o controle  da proliferação do mosquito, ou seja, tomar medidas que evitem ambientes propícios para a sobrevivência do Aedes aegypti. Erradicar lugares com água parada, evitar vasos de flores que acumulem água e educar a população para fiscalizar os ambientes domiciliares e de sua vizinhança. 
           Outra maneira de evitar a infecção é impedir o contato do mosquito com a pele humana, portanto, o uso de repelentes está indicado principalmente em gestantes, os mais eficazes são os a base de Icaridina com tempo de ação que pode durar até 10 horas.
           Para grávidas que querem viajar para lugares quentes e úmidos como Nordeste e Norte do Brasil é necessário alertá-las dos riscos e orientar os cuidados que devem tomar para evitar contato com o mosquito.
          Estudos ainda estão sendo realizados para saber a real causa e consequência do contato do vírus com a gestante, portanto, enquanto ainda temos incertezas sobre o assunto nos resta combater a proliferação do mosquito e nos proteger do ataque dele.

Fonte: Dra Carolina de Andrade Melo e Souza - Ginecologista e Obstetra - CRM 143605.

           

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